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LITORAL NORTE DA BAHIA RECEBE VISITA DE UM “PRÍNCIPE”

Jaelson Castro - Ornitólogo
j.o.castro@zipmail.com.br

Marianna Pinho - Bióloga
marianna@cra.ba.gov.br

Fotos
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O ilustre visitante é um passarinho com 13,5 cm de comprimento, 14 g de peso e uma plumagem vermelho vivo que fascina os olhos de quem o contempla. No dia 08 de outubro, tivemos o prazer de ter em nossas mãos esta jóia emplumada, conhecida popularmente como príncipe e cientificamente como Pyrocephalus rubinus (Pyro = fogo; Cephalus = cabeça; Rubinus = vermelho).

Esta bela ave é também conhecida como verão, pois anuncia a chegada da estação das cores, quando adquire esta linda cor escarlate, como atrativo para as fêmeas na época reprodutiva. Após a reprodução, o macho muda para uma plumagem de descanso sexual, semelhante à das fêmeas.

Ave migratória, com reprodução na Argentina, Paraguai e Uruguai, logo após o término da segunda e última procriação ( geralmente de novembro a fevereiro ), migram para o norte, sendo conhecida sua maciça passagem pelo Pantanal. Passam de maio a agosto/setembro na região amazônica, onde encontram-se com uma subespécie local.

Helmut Sick, autor do livro “Ornitologia Brasileira”, revela um caso muito interessante onde se manifestam fatores genéticos e ambientais como causadores da migração. Na Argentina, foram observados pais e filhos separadamente. Logo após os filhotes da segunda cria saírem do ninho, em fins de janeiro, os adultos partem em direção ao norte, no auge do calor e com abundância de alimento (insetos). Os filhotes, porém, ficam na área e entram na muda. Finalmente, três meses após o desaparecimento dos pais e demais adultos, quando o frio e a umidade outonais tornam-se fortes, os filhotes também emigram. Segundo Sick, portanto, os adultos do príncipe obedecem a um ritmo endógeno, hereditário, enquanto os filhotes, possuindo a mesma estrutura genética, são expulsos por pressões externas, do próprio ambiente.

O passarinho capturado e anilhado no Condomínio Busca Vida, Camaçari, litoral norte da Bahia, provavelmente foi empurrado de sua rota normal pelas correntes de vento, como ocorreu com um indivíduo que foi capturado em alto mar há mais de cem milhas do continente. Normalmente, sua rota costuma ser pelo extremo oeste do continente (Mapa). O anilhamento deste exemplar, poderá fornecer mais informações a respeito das rotas migratórias e do comportamento da espécie. Segundo o CEMAVE, já foram anilhados 14 indivíduos no Brasil, sendo 10 no Rio Grande do Sul, 01 no Paraná e 03 em São Paulo, sendo este, o primeiro da espécie a ser anilhado no Norte/Nordeste.

O anilhamento é uma técnica mundialmente conhecida que consiste na marcação das aves com anéis metálicos codificados. No Brasil, o Sistema Nacional de Anilhamento é coordenado pelo CEMAVE- Centro de Pesquisa para Conservação das Aves Silvestres, órgão ligado ao IBAMA, responsável pelo banco de dados dos relatórios enviados pelos anilhadores.

Nas anilhas, além de um código que nunca se repete, formado por uma letra e cinco algarismos ( p.ex. J 10186, a letra corresponde ao diâmetro da perna da ave ) existe gravado, também, o endereço do CEMAVE (Caixa Postal 04/34 - Brasília, DF), em anilhas menores o endereço fica do lado de dentro. A pessoa que encontrar uma ave anilhada prestará enorme ajuda ao escrever para o CEMAVE enviando informações a respeito do local e data do encontro, ajudando assim, os anilhadores em suas pesquisas (cemave@cemave.gov.br, Telefax : (61) ) 465 2009).

Devido a importância desta técnica iniciamos o anilhamento das aves em Busca Vida e no Parque Municipal Dunas de Abrantes ( até o momento foram identificadas 145 espécies ). Este trabalho, que conta com o apoio do CRA - Centro de Recursos Ambientais, vem sendo realizado pela ECOBUSCA, Associação Ecológica que visa a conservação dos ecossistemas locais que, devido à expansão urbana, vêm sofrendo agressões de todo tipo, apesar da fiscalização do CRA e Prefeituras de Camaçari e Lauro de Freitas. O Condomínio Busca Vida e o Parque Municipal das Dunas de Abrantes, município de Camaçari, abrigam remanescentes de dunas, restingas, lagoas, nascentes e manguezal, além de uma extensa faixa de praia. O conhecimento da avifauna local servirá para orientar a ocupação da área, que se encontra localizada na Área de Proteção Ambiental Joanes-Ipitanga (Dec. Estadual N.º 7.596/99), de forma menos impactante, garantindo, assim, a conservação da vida silvestre.

Não compre e nem aceite animais silvestres como presente, observe-os na Natureza, em liberdade, e denuncie o tráfico!

         

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