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Manual de Coleta

1.1. Coleta

Existem dois tipos de coleta: a geral e a específica.
Na coleta geral o colecionador vai explorando sistemáticamente um lugar, prestando atenção a todos os animais que vê e apanhando
aqueles para os quais está preparado.

É impossível apanhar de tudo. É necessário levar certos tipos de materiais para cada tipo de animal que for coletado. Aves, Répteis,
Anfíbios, Insetos, Mamíferos e etc...

A coleta pode ser específica em relação a um bicho, a um ambiente ou a uma oportunidade. Quando o coletor sabe que em uma zona há
um animal raro ou interessante, deve procurar obtê-lo, mesmo que longe de sua especialidade. A coleta pode também ser específica em
relação a um ambiente, mais ou menos amplo. Por exemplo, se estivermos trabalhando em uma região de cerrado e encontrarmos um
capão de mato isolado. este deve ser penteado com pente fino - e o material devidamente rotulado. Se na área existir uma caverna, esta
merecerá atenção especial.

Uma atenção especial deve ser dada a Reservas Ambientais, Biológicas e etc... Não é permitida a coleta de animais, às vezes só é
permitida a coleta com autorização. Mas é muito difícil.

1.2. Séries

Se examinarmos uma série de animais do mesmo lugar, veremos que eles apresentam diferenças entre si. As diferenças entre animais
de localidades diversas são frequentemente ainda mais acentuadas. Animais sociais como abelhas, formigas e cupins são necessários
boas amostras de cada ninho encontrado, para comparação.

Por isso, o estudo de um animal exige que se disponha de material de muitas localidades, representando toda a sua área de dispersão
geográfica, e séries tão boas quanto possível de cada localidade. O melhor tipo de amostra é a colhida "ao acaso", ou seja, sem escolha
nenhuma. Do mais bonito ao mais feio, do maior ao pequeno!!!

1.3 Preparação

A preparação é o conjunto que permite que o exemplar seja guardado, sem estragar, conservando ao máximo as características do
animal vivo ou, pelo menos, aquelas que são necessárias ao seu estudo científico.

Existem dois meios de fixação: via seco e via úmida.

Via Seca

Ocorre o dessecamento do bicho, de maneira que não se encarquilhe nem seja atacado por insetos ou mofos.

Via Úmida

Utilização de líquidos fixadores e conservadores.

O fixador prepara os tecidos do bicho para a conservação permanente. O principal fixador é o formol, em certos casos o álcool, ou
fixadores especiais.

1.3.1 Regras essenciais da fixação

São duas: a primeira é que o volume de fixador dentro do recipiente seja maior que o volume dos animais a fixar. A segunda é que todas
as partes do animal sejam banhadas pelo fixador. Assim, colocar material demais em um vidro, é arriscar a perder tudo. Colocar um
bicho à força dentro de um recipiente é arriscar se a que as partes forçadas contra a parede não se fixem.

1.3.2 Injeção

Animais de paredes corporais espêssas (mamíferos por exemplo) devem ser injetados com o fixador. A injeção se faz nas cavidades
gerais e segundo as necessidades, nas massas musculares maiores. Este item será discutido mais a frente.

1.3.3 Formol

O formol do comércio é uma solução saturada de aldeído fórmico (que é um gás) em água, contendo 40% do aldeído. Consideramos
essa solução como sendo formol puro e referimos todas as diluições a ela. Assim o nosso formol a 10% compõe-se de 9 partes de água
e uma de formol de comércio.

Usa-se o formol em diluições que vão desde 4% para animais muito aquosos e delicados, até 10% a solução de uso mais geral.

Não existe nenhum meio prático de dosar o formol fora de um laboratório químico, de maneira que convém ter sempre formol e de boa
marca, para ter certeza da concentração.

O formol envelhecido à luz contém ácido fórmico que descalcifica aos poucos os ossos dos exemplares pequenos. Uns pedaços de
mármore o qualquer pedra cálcarea corrigem esse defeito.

Incovenientes do Formol:

* Irrita as mucosas;
* Ataca a camada mais externa da pele das mãos podendo até descascar;
* O formol em contato com feridas, ARDE MUITO e pode provocar ulcera!!!!;
* O formol é cancerígeno.

Cuidados possíveis:

Luvas de borracha e máscara.

1.3.4 Álcool

O Álcool do comércio vem em duas concentrações: 42o (a mais comum) e 36o. O Álcool 42o corresponde a 96%, o 36o a 85%.

Para conservação usa-se em geral o álcool a 70%. É importante saber se o álcool não está batizado, pois pode acarretar problemas
quando for fazer o álcool 70%. Para preparar álcool a 70% a partir de álcool a 96%, tomam-se 700ml deste e juntam-se a 300ml de
água destilada (pode ser com água comum, mas pode alterar a fixação).

1.3.5 Vasilhame

Quando se usa a fixação por via úmida, é necessário vasilhames para levar os líquidos ao campo, para conter os animais de sua
amostra. Os recipientes de plástico são ótimos para levar o formol, mas são perigosos para o Álcool 70%, pois depois de algum tempo,
geralmente racham.

2.1. Rotulagem

Serve para fornecer dados do animal coletado. Existem diversos tipode de rotulagem. Papel vegetal e etiquetas são os mais usados.

Os dados do rótulo são: lugar onde foi apanhado o bicho, a data da captura e o nome do coletor.

2.1.1 Localidade

A indicação do lugar de captura deve permitir que ele seja reconhecido sem sombra de dúvida. O nome do lugar e estado são
indispensáveis. É bom colocar também, posições em relação a um rio, cachoeira, lagoa, serra ou outro acidente geográfico permanente.
Também deve-se dar a distância aproximada e a direção de uma localidade indentificável quando tratar-se de uma fazenda ou
acampamento sem nome. Ex.: Fazenda Amaral, ca. 8Km S Prazeres, mun. Dores, RS". Isto quer dizer que a Fazenda Caetetu fica a cerca
de 8 quilômetros ao sul de uma vila chamada Prazeres, no município de Dores, estado do Rio Grande do Sul.

2.1.2 Coletor

O nome do colecionador deve também ser escrito de maneira inconfundível. No caso de grupos grandes ou expedições, o crédito deve
ser coletivo. É usado geralmente "Exp. DZ (Expedição do Depto. de Zoologia), por exemplo.

2.1.3 Data

No caso mais simples é dado o dia exato, mês e ano. Deve-se dar o ano por inteiro (199, por exemplo) e não se deve abreviar o mês em
algarismos arábicos, mas sim em letras ou algarismos romanos. Por exemplo: 23. XII. 1952 ou 23. Dez. 1952

2.1.4 Outros dados

Podem ser incluídos no rótulo dados como: Altitude do local, onde foi pego (no cerrado, na mata virgem, sobre goiabeira, à noite...),
medidas, côr dos olhos, côr dos anfíbios, e etc... ** Só se deve ser incluído quando haja absoluta certeza.Falta de informação é melhor
que informação errônea. Podem ser usados sinais gráficos para sexos e castas.

2.1.5 Material para Rotulagem

Para uso em peças secas, qualquer papel pode ser usado. Para uso em líquidos, o ideal seria Papel Vegetal. Para escrever, o ideal é
tinta nanquim, mas pode ser usado lápis no. 2 ou B (papel vegetal).

2.1.6 Material para Etiquetas

Fibra, estanho e cadarço. A etiqueta de fibra pode ser previamente impressa ou preenchida a nanquim. O estanho puro não é atacado
pelo formol nem pelo álcool. As impurezas, porém, são comuns, e costumam causar defeitos graves. Os algarismo e, eventualmente,
letras, devem ser estampados com cunhos de metal, o que é trabalhoso. A etiqueta de cadarço é estampada com carimbo numerador,
usando tinta de imprensa. Prefere-se cadarço branco grosso, de trama apertada, de cerca de 1,5cm de largura. O único defeito destas
etiquetas é que, no álcool, se enrolam, dificultando a leitura. Mas, para uso no campo, este defeito é de mínima importância.

O mais recomendado é a etiqueta de cadarço, com números de 6 algarismos, os 3 primeiros referentes ao ano corrente. Também podem
ser usados etiquetas de papel numa emergência.

3.1 Cadernos de Campo

Existem três tipos principais de observações de campo que são registrados em cadernos: o diário de viagem, o catálogo numérico do
material coletado e o registro das observações sobre bichos e lugares.

O diário registra os incidentes científicos e humanos da viagem. São indispensáveis a identifcação cuidadosa dos lugares visitados,
com uma descrição fisionômica e ecológica, e uma menção dos exemplares coletados cada dia, principalmente os bichos notáveis por
qualquer motivo.

O catálogo numérico deve trazer, para cada número, a informação toda discutida no caso dos rótulos.

Nas observações sobre bichos é necessário identificar bem as circunstâncias: lugar, dia, hora do dia, condições atmosféricas, etc. É
também indispensável ligar a observação ao exemplar observado por meio do número.

Bibliografia:

Manual de Coleta e Preparação de Animais terrestres e de água doce. Departamento de Zoologia. Secretaria da
Agricultura do Estado de São Paulo. 1967.