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Paraphysornis
Novo Gênero para Physornis brasiliensis. Alvarenga,
1982 (Aves: Phorusrhacidae)
HERCULANO
M. F. ALVARENGA
Rua Colômbia, 99, 12030-520 Taubaté, SP
INTRODUÇÃO
Physornis brasiliensis, uma gigantesca ave carnívora
procedente dos sedimentos terciários da bacia de Taubaté,
foi descrita com base num esqueleto quase completo,
faltando especialmente uma boa parte do crânio e da pelve
(Alvarenga, 1982). Toda a família Phorushacidae, na qual
se enquadra o gênero Physornis, encontra-se ainda
com grandes problemas de nomenclatura e classificação,
necessitando de uma revisão bastante ampla. Recentemente,
examinei o material de Phorusrhacidae de Museus da Argentina, América
do Norte e Europa, numa tentativa de uma revisão da referida
família. As comparações com Physornis brasiliensis
tomaram o primeiro plano, objetivando uma reavaliação
da posição sistemática desta espécie
brasileira. As características de Physornis brasiliensis
são relacionadas à subfamília Bronthornithinae,
considerando especialmente o porte grande, pesado, com tarsos curtos
e grossos e a mandíbula com sínfise alta e relativamente
curta. As diferenças observadas com o gênero Brontornis,
e uma breve discussão sistemática já foram
apresentadas (Alvarenga, 1982), podendo ser aqui acrescidas com
os detalhes observados na proporção da sínfise
mandibular e na conformação do tarsometatarso
proximal (figura
1 e figura 2).
Foi possível um melhor estudo comparativo com Physornis
fortis Ameghino, 1985,
tanto com exemplares do Museu Argentino de Ciências Naturais
de Buenos Aires (Argentina) e do Field Museum de Chicago (E.U.A.),
tendo sido examinado também o
tipo da espécie (MUseu Britânico A583), um fragmento
bastante danificado de sínfise mandibular, porém legitimo,
embora Patterson (1941:52) nãp o tenha reconhecido como
tal. As observações e comparações levaram
à conclusão que Physornis brasiliensis apresenta
diferenças bastante significativas tanto com relação
a Brontornis burmeisteri
Moreno & Mercerat, 1981 como também com Physornis
fortis Ameghino, 1985, recebendo o epíteto de Paraphysornis,
o que constitui o assunto principal do presente trabalho.
MATERIAL
EXAMINADO
Physornis fortis Ameghino, 1985 Museo Argentino
de Ciências Naturales, Buenos Aires, Argentina:
MACN A-52-185, 86, 187 e 188, respectivamente porção
proximal do tarsometatarso esquerdo, fragmento anterior de sínfise
mandibular, falange I do dedo II e falange I do
dedo IV do pé esquerdo; esses exemplares, certamente de um
mesmo indivíduo, serviram de tipo de Aucornis euryrhynchus
Ameghino, 1985, sinônimo júnior de Physornis
fortis Ameghino, 1985. Procedência: Província de Santa
Cruz, Argentina, Formação Deseado, Oligoceno Médio
a Superior. Field Museum, Chicago, E.U.A.: FM P13340: sínfise
mandibular incluindo parte da rama esquerda, associada ao atlas,
porção basal do quadradojugal esquerdo,
fragmentos de vértebras e falanges, e FM P13619; sínfise
mandibular associada à base do quadradojugal direito. Procedência
de ambos: Puerto Deseado, Província de Santa
Cruz, Argentina, Formação Deseado, Oligoceno Médio
e Superior. British Museum of Natural History, Londres, Inglaterra:
BM A583, tipo: porção inferior de sínfise mandibular
e parte anterior da rama dierita. Procedência:
Província de Santa Cruz, Formação Deseado,
Oligoceno Médio e Superior.
Brontornis burmeisteri Moreno & Mercerat, 1981
Museo La Plata, Argentina: MLP 88,89,90 e 91: fêmur, tibiotarso,
fíbula e tarsometatarso esquerdos, associados, designados
como lectótipo por Vrodjorb (1967);
MLP 94 e 95; duas sínfises mandibulares. Procedência:
respectivamente Lago Argentino e Monte Leaon, Província de
Santa Cruz, Argentina, Formação Santa Cruz, Mioceno
Inferior e Médio. Field Museum, Chicago, E.U.A.: FM P13259:
tarsometatarso esquero completo e porção distal do
direito. Procedência: Coy Aike, Província de Santa
Cruz, Argentina,
Formação Santa Cruz, Mioceno Inferior a Médio.
Muséum National d'Histoire naturelle de Paris, França:
MHNP 1902-6: porção mandibular incluindo toda a sínfise
e parte da rama direita. Procedência Rio Coyle, Província
de Santa Cruz, Argentina, Frmação Santa Cruz, Mioceno
Inferior a Médio.
SISTEMÁTICA
Família PHORUSRHACIDAE (Ameghino, 1889)
Subfamília BRONTORNITHINAE (Moreno & Mercerat, 1981)
Paraphysornis gênero novo
Espécie-tipo: Physornis brasiliensis Alvarenga, 1982).
Espécies incluídas: somente a espécie tipo.
Material: Paraphysornis brasiliensis (Alvarenga, 1982) comb.n.
Seção de Paleontologia do Departamento Nacional da
Produção Mineral, Rio de Janeiro, Brasil: DGM 1418-R,
holótipo: esqueleto quase completo. Procedência: Tremembé,
São Paulo, Brasil; Formação Tremembé,
bacia de Taubaté. Oligoceno Superior a Mioceno Inferior.
Diagnose: Sínfise mandibular mais longa e mais estreita que
em Brontornis e Physornis (figura
1), alcançando em comprimento quase o dobro da sua largura
na base;
extremidade anterior bastante estreita, pontiaguda e com a superfície
ventral plenamente convexa em todos os sentidos. Tarsometatarso
com o cótilo interno de forma quase quadrangular, com uma
grande expansão lateral do hipotarso (figura
2-C). Etimologia: do grego Para (próximo de).
Alusão a um gênero próximo de Physornis.
Considerações gerais: A caracterização
de Paraphysornis ficou restrita em especial aos aspectos
da sínfise mandibular e parte proximal do tarsometatarso,
pela impossibilidade de comparação devido a relativa
exigüidade de material representando o gênero Pshysornis,
com o qual apresenta maiores afinidades. Entretanto, os caracteres
morfológicos da mandíbula e nos cotilos e região
hipotarsal do tarsometatarso, são plenamente suficientes
para a caracterização do novo gênero estabelecido.
Discussão: Em Physornis, a sínfise mandibular
é bastante curta, com a extremidade anterior larga e truncada
e a superfície ventral apresenta uma extensa área
quase plana. Em Brontornis a sínfise mandibular é
relativamente muito mais alta, mais larga e mais curta. Nos demais
Phorusrhacidae, a sínfise é sempre mais longa
e mais estreita que em Paraphysornis. No tarsometatarso de
Paraphysornis em vista cranial, o cótilo interno (figura
2-C) é de forma quase quadrangular e o hipotarso apresenta
uma
configuração quase intermediáriaentre Brontornis
e Physornis, com uma expansão lateral, unido-o à
borda posterior do cótilo externo; em Physornis, o cótilo
externo (figura 2-D)
é mais quadrangular que em Paraphysornis com a borda
posterior plenamente separada do hipotarso por uma evidente incisura.
Pela comparação dos diversos elementos
disponíveis, Paraphysornis era o de menor porte, enquanto
Brontornis era o maior dentre os Brontornitinae.
AGRADECIMENTOS
A
todas as Instituições que me acolheram e permitiram
o exame de suas coleções. A NAtional Geographic Society,
(Grant 3183-85 and 3699-87) e ao Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelo
apoio financeiro na pesquisa. A Miguel Soria H. e Luiz Chiappe (MACN),
Eduardo Tonni e Claudia Tambussi (MLP) e
Cyril Walker (BMNH),pelas discussões extremamente frutíferas
que tivemos sobre o tema.
A Werner C.A. Bokermann (Parque Zoológico de São Paulo)
e Kenneth E.Campbell (los Angeles Nat. Hist. Museum) pelos comentários,
correções e discussões proporcionados
na preparação deste trabalho. Agradecimento especial
a Rubens da Silva Santos (UERJ), pelo apoio, discussão e
orientação em todas as etapas deste trabalho.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
Alvarenga,
H., (1982), Uma Gigantesca ave fóssil do Cenozóico
brasileiro:Physornis brasiliensis sp. n. An. Acad. bras.
Ci., 54 (4): 697-712.
Ameghino, F., (1895), Sobre las aves fosiles de Patagonia. Boletin
del Instituto geográfico Argentino, 15: 501-602.
Ameghino, F., (1899), Sinopsis geológico-paleontologica.
Suplemento (adiciones y correcciones). LA Plata. Imprensa "La
Liberdad" pp. 1-13.
Brodkorb, P., (1967), Catalogue of fossil birds, part 3 ( Ralliformes,
Ichthyornithiformes, Charadriiformes). Bulletin of the Florida
Satate
Museum (Biological Sciences), 2 (3): 99-220.
Moreno, F. P. & Mercerat, A., (1891), catálogo de los
pájaros fóssiles de la República Argentina
conservados en el Museo de La Plata. Anal. Mus. La Plata,
1 (1): 1-71, 21l am.
Patterson, B., (1941), A new phororhacoid bird from Deseado formation
of Patagonia. Field Museum of Nat. Hist. geol. ser. 8
(8): 49-54.
AGRADECIMENTO
À PROFESSORA MARIA CÉLIA (UNI-RIO) QUE CEDEU ESTE
MATERIAL
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